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Gleisi chama denúncia da PGR contra Bolsonaro de 'grande presente' de aniversário para o PT

Presidente da sigla também reconheceu ser 'ruim mesmo' o pior índice de popularidade de Lula em todos os seus mandatos

Deputada federal paranaense e presidente nacional do PT, Gleisi HoffmannDeputada federal paranaense e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann - Foto: Henrique Lima/PT de Pernambuco

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, reconheceu nesta sexta-feira que considerou um "grande presente" para o partido a denúncia da Procuradoria-Geral da Republica (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outras 33 pessoas por participação na trama golpista. A denúncia foi oferecida nesta terça-feira pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, e será apreciada pela Primeira Turma da Corte após ser liberada pelo relator, ministro Alexandre de Moraes.

A declaração foi dada durante a solenidade de abertura da celebração dos 45 anos da sigla, no Rio de Janeiro.

— Não é porque estamos na Presidência da República que não temos luta. Comemoramos o aniversário do PT com um grande presente: a denúncia da PGR contra Bolsonaro. E essa denúncia tem uma data, 2021, quando o Lula foi inocentado. É nessa data que começam os ataques à democracia. Bolsonaro sabia que seria difícil derrotar Lula. Foi um processo longo — discursou Gleisi.

A presidente do partido defendeu que os denunciados tenham o devido processo legal, mas que paguem por seus “crimes à democracia”.

Gleisi também reconheceu ser "ruim" os dados da última pesquisa Datafolha, indicando a pior avaliação de Lula em todos os três mandatos do presidente. A avaliação positiva do chefe de Estado cai 11 pontos em dois meses.

— Ficam falando sobre a avaliação do governo. Verdade, a pesquisa é ruim mesmo, não dá para tapar o sol com a peneira. É proveniente de uma série de fatores: (da crise) do Pix, (da inflação) dos alimentos e do afastamento de Lula para cuidar da sua saúde — disse a petista, ponderando, no entanto, ao concluir: — Mas eleições não se ganham de véspera.

Em meio a uma disputa interna por sua sucessão, ela foi recebida com gritos de apoio “O meu partido, eu boto fé, porque ele é presidido por mulher”.

Gleisi dividiu a mesa “O Papel dos Setoristas no Futuro do PT” com o presidente da Fundação Perseu Abramo, Paulo Okamotto. A senadora Teresa Leitão (PE), o líder de governo na Câmara, José Guimarães (CE), e as deputadas Dandara (MG) e Maria do Rosário (RS) também estão presentes.

O líder do governo na Câmara usou o espaço para também criticar Bolsonaro.

— Bolsonaro vai ter que ser preso por todos os crimes que cometeu contra a democracia e não vai ter anistia — afirmou José Guimarães.

Na mesma toada, Maria do Rosário, fez um discurso sobre a importância das mulheres nas eleições de 2026. A pauta da reeleição foi abordada por outros dirigentes da sigla.

— A vitória de Lula está na mão das mulheres. São as mulheres que vão reeleger Lula novamente — disse a deputada.

Disputa interna
O encontro ocorre em meio a um racha no PT. O pano de fundo da disputa interna são as eleições para o comando da legenda. O candidato favorito é o ex-prefeito de Araraquara, Edinho Silva. É esperado que Lula declare apoio a ele, neste sábado, e anuncie a atual Gleisi como próxima ministra da Secretaria-Geral da Presidência.

Esses acenos poderiam resolver o entrave relacionado à corrente majoritária do partido, a Construindo um Novo Brasil (CNB).

Aliados de Gleisi e do secretário de comunicação da legenda, o deputado federal Jilmar Tatto (RS), defendem outros nomes, como o líder do governo na Câmara, José Guimarães (CE), ou o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto.

O receio do entorno da atual presidente é com a postura moderada do ex-prefeito, que defende um distensionamento da polarização. Avalia-se que o partido poderia se descaracterizar.

Os defensores de Edinho rebatem que a abertura ao diálogo será essencial para costurar alianças para 2026, sobretudo na chapa de reeleição, caso Lula confirme o seu nome.

Edinho reúne apoios fora da CNB. Uma das maiores correntes, a Mensagem ao Partido indica que pode apoiá-lo. Um de seus integrantes, o deputado federal Reginaldo Lopes(MG), organizou um jantar para ele na noite de quarta-feira. Integrantes de alas menores, como o Movimento PT, também estiveram presentes.

A corrente lançou a candidatura de Romênio Pereira, mas ensaia retirar. Já Articulação de Esquerda e a Democracia Socialista (DS) se distanciaram de Edinho.

Principal líder da Articulação de Esquerda, Valter Pomar tem feito críticas à CNB e contra a volta da eleição direta. Há uma articulação em torno do deputado federal Rui Falcão (SP), ex-presidente da sigla, da corrente Novos Rumos, mas ele resiste.

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