Leia a íntegra do voto de Moraes no julgamento que tornou Bolsonaro réu no STF pela trama golpista
A Primeira Turma decidiu por unanimidade que os oito integrantes do "núcleo central" vão responder a uma ação penal
Ao votar para tornar o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete aliados réus pela trama golpista, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que o ex-mandatário "liderou a organização" criminosa citada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
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A Primeira Turma decidiu por unanimidade que os oito integrantes do "núcleo central" vão responder a uma ação penal.
Para Moraes, a participação de Bolsonaro na trama golpista foi devidamente comprovada na denúncia e citou como exemplo a edição de uma minuta de decreto que previa a instalação de um estado de exceção no país.
— Não há dúvida de que Bolsonaro discutiu uma minuta do golpe — disse Moraes durante a sessão na quarta-feira.
Além de Bolsonaro e Braga Netto, viraram réus o tenente-coronel Mauro Cid, os ex-ministros Braga Netto (Defesa e Casa Civil), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Anderson Torres (Justiça), Paulo Sérgio Nogueira (Defesa), além do ex-comandante da Marinha Almir Garnier e o ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem, deputado federal pelo PL-RJ.
Ao rebater na sessão argumentos levantados pelas defesas dos denunciados, Moraes leu mensagens em que Braga Netto orienta atacar a família do comandante da Aeronáutica, Baptista Júnior, e disse que "até a máfia" tem um código de comuta que preserva familiares.
– Até a máfia tem um código de conduta de que os familiares são civis. Parece que aqui, lamentavelmente, nem isso foi seguido – afirmou Moraes durante o segundo dia do julgamento da trama golpista.