Dama do tráfico

ONG de mulher recebida no ministério de Dino lavava dinheiro da 'caixinha' do tráfico, diz inquérito

De acordo com a Polícia Civil do Amazonas, facção criminosa pagava todas as contas da instituição de Luciane Barbosa Farias

Ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio DinoMinistro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino - Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

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Luciane Barbosa Farias, mais conhecida como a "dama do tráfico amazonense", se encontrou com assessores do Ministério da Justiça enquanto representante da Associação Liberdade do Amazonas, como noticiou o jornal "O Estado de S.Paulo". Esta organização não governamental (ONG), segundo um inquérito sigiloso da Polícia Civil do Amazonas ao qual o Globo obteve acesso, lava o dinheiro do Comando Vermelho.

Mulher de Clemilson dos Santos Farias, líder da facção mais conhecido como Tio Patinhas, Luciane Barbosa de Freitas chegou a ser condenada a dez anos de prisão por ter desempenhado, de acordo com o Ministério Público, um papel essencial na ocultação de valores do tráfico. Enquanto o marido coordenava as negociações do crime, Luciane é acusada de ter tido o papel de acobertar, o que fazia adquirindo veículos de luxo, imóveis e registrando empresas laranjas.

Entre elas, a Associação Liberdade do Amazonas, que foi fundada no ano passado com o intuito de defender os direitos dos presos. Contudo, a polícia alega que a ONG teria sido criada pelos criminosos para atender suas próprias necessidades e que o papel real "perpetuar a existência da facção criminosa e obter capital político para negociações com o Estado".

Neste contexto, a entidade recebe dinheiro da "caixinha" do tráfico, modelo de arrecadação coletiva entre os integrantes. Ainda segundo o inquérito, todas as contas da organização são pagas pela facção, tais como aluguel, água, luz, internet, plano de chips, contador, salários de funcionários, material de limpeza, papelaria e até mesmo gasolina. Por este motivo, uma quantia de R$ 188 mil chegou a ser bloqueada da conta da instituição.

Em nota, Luciane Barbosa Farias afirmou não ter ligação com facções criminosas e relatou ser vítima de discriminação por ser mulher de um detento. "Respondo a um processo que fui absolvida em primeira instância, houve recurso do MP e condenação em segunda, sendo que agora continuo recorrendo", disse, afirmando ainda que no Brasil uma pessoa só pode ser considerada criminosa após o trânsito em julgado.

Entenda o caso
Nesta segunda-feira, uma matéria do jornal "O Estado de S.Paulo" revelou que Luciane Barbosa Farias, mais conhecida como a "dama do tráfico amazonense", esteve no Ministério da Justiça em duas agendas com secretários de Dino. Luciane é mulher de Clemilson dos Santos Farias, o Tio Patinhas, líder da facção Comando Vermelho no Amazonas, que cumpre 31 anos no presídio de Tefé, no estado. Ela também foi sentenciada a dez anos, mas responde em liberdade.

Com a divulgação, o nome da facção criminosa e o termo "Ministério da Justiça" chegaram aos assuntos mais comentados do X (antigo Twitter), e recebeu o repúdio de políticos como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Sergio Moro (União Brasil-PR).

Em resposta, o ministro da Justiça Flávio Dino (PSB) afirmou que nunca recebeu líderes de facção em seu gabinete. "Nunca recebi, em audiência no Ministério da Justiça, líder de facção criminosa, ou esposa, ou parente, ou vizinho. De modo absurdo, simplesmente inventam a minha presença em uma audiência que NÃO SE REALIZOU em meu gabinete. Sobre a audiência, em outro local, sem o meu conhecimento ou presença, vejam a história verdadeira no Twitter do Elias Vaz (secretário do ministério). Lendo lá, verificarão que não é o que estão dizendo por conta de vil politicagem", afirmou.

Secretário de Assuntos Legislativos no ministério, Elias Vaz informou que no dia 14 de março recebeu uma solicitação de audiência por parte da ex-deputada estadual Janira Rocha. Dois dias depois, em 16 de março, Janira teria ido à pasta e levado Luciane como sua acompanhante. "Ela se limitou a falar sobre supostas irregularidades no sistema penitenciário. Repudio qualquer envolvimento abjeto e politiqueiro do meu nome com atividades criminosas", afirmou.

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