Raul Henry e Fernando Bezerra Coelho
Raul Henry e Fernando Bezerra CoelhoFoto: Folha de Pernambuco

Abriga pelo comando do MDB-PE deverá ficar para a última hora, na semana final da janela partidária, deixando em suspenso os planos do vice-governador Raul Henry (atual mandatário) e do senador Fernando Bezerra Coelho. Quem perder o embate deve tocar o plano B: ou deixa a agremiação ou pensa uma forma de viabilizar a convivência com o desafeto. Devido ao feriado da Semana Santa, que paralisou os trabalhos no Judiciário, ambos ficam à espera da palavra final do Supremo Tribunal Federal (STF) para executar seus respectivos projetos eleitorais.

Dado como certo na presidência do MDB-PE por Romero Jucá, Bezerra Coelho já tinha filiado o ministro de Minas e Energia, Fernando Filho, e também chegou a percorrer uma agenda para articular novas adesões, buscando consolidar sua candidatura ao governo do Estado. Todavia, a decisão liminar da Suprema Corte jogou um "balde de água fria" na estratégia do senador. Desde então, Bezerra preferiu não falar com a imprensa, até mesmo para não comprometer o plano jurídico da Executiva nacional. Henry também permaneceu em silêncio, embora esteja presente em Brasília, em agenda administrativa e se movimentando pela manutenção do controle do diretório. O advogado do partido, Carlos Neves, não acredita que a segunda turma do STF deverá se pronunciar na próxima semana. “Nosso objetivo é manter nos cargos do diretório estadual aqueles que foram eleitos democraticamente”, alega Neves.

Enquanto siglas como PSC e PP vieram trabalhando para ampliar o número de filiações, o impasse jurídico em torno do MDB acabou impedindo tanto Raul quanto Fernando de atraírem novos quadros para a eleição desse ano. A falta de definição sobre esse imbróglio já se arrasta há sete meses e, mesmo com o apoio de Jucá, Fernando não consegue se consolidar. Já Raul, que vai disputar vaga na Câmara dos Deputados, tampouco conseguiu articular uma estratégia para oxigenar o MDB na questão da chapa proporcional.

Na véspera do dia 7 de abril, quando fecha a janela, se Raul continuar como presidente do diretório, a candidatura ao governo de FBC estaria praticamente enterrada, forçando inclusive Fernando Filho a buscar outra sigla para garantir a sua disputa pela reeleição. Porém, se o senador vencer na Justiça e recuperar a presidência dada pela Executiva nacional, Raul e seu grupo teriam pouco tempo para articular uma debandada - com o prejuízo certo da perda do tempo de televisão que o MDB apresenta dentro da Frente Popular. Caso essa definição só aconteça depois da janela partidária, é provável que o partido não cresça e que a disputa se resuma a definir o campo em que a sigla ficará - inclusive colocando em risco os projetos de Raul para deputado federal.

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