Deputada Teresa Leitão (PT)
Deputada Teresa Leitão (PT)Foto: Mandy Oliver/Folha de Pernambuco

O adiamento da reunião do PT-PE, que iria colocar em votação a tese de candidatura própria neste domingo (10), mexeu com os ânimos dentro do partido. Antes da decisão, que saiu na noite desta terça (05), petistas favoráveis à candidatura de Marília Arraes para governadora acreditavam que o jogo havia virado, em razão dos bons índices conquistados por ela na pesquisa interna, encomendada pela direção nacional. Mas, surpreendidos com a remarcação do encontro para os dias 26 e 27 de  julho, terão que lidar com a ansiedade e traçar novas estratégias para impedir o embarque da legenda na Frente Popular.

A leitura que se faz internamente é que a presidente da sigla, Gleisi Hoffmann, não abrirá mão de ter o apoio do PSB à candidatura de Lula, para colocar o PT na chapa do governador Paulo Câmara. Isso teria sido tratado no encontro entre os dois, nesta terça (05). Mas, entre socialistas, existem resistências à candidatura presidencial petista, pois se Lula sair do páreo, outro postulante não conseguiria ter o mesmo desempenho, colocando em risco os palanques estaduais. Por isso, a convergência em torno do ex-presidente é vital. É uma questão de sobrevivência, para evitar uma debandada.

Assim, para a deputada estadual Teresa Leitão (PT), defensora de Marília, o adiamento da reunião do PT “provocou indignação da militância, que estava pronta para votar em Marília" no evento de domingo. No entanto, na sua visão, o adiamento não é suficiente para esmorecer o grupo. Para ela, o PSB precisará estar com Lula, se quiser reciprocidade.

Leia também
Diretório Nacional altera datas e encontro do PT-PE é adiado
Para Oscar, direção nacional tomou atitude política
Marília teve que amargar decisão de adiamento


“A posição não foi só voltada para Pernambuco. Todos os encontros estaduais foram adiados. Isso desmonta a tese que o PSB vinha trabalhando, através do vice-presidente (Paulo Câmara), junto com os membros do PT que querem a aliança, que é a tese de fatiar o apoio a Lula. Não é Lula que precisa do apoio. São eles que precisam do apoio de Lula. Então iam apoiar Lula, Alkmin, Marina, Bolsonaro, de acordo com a regionalidade. Isso ao PT não interessa. Sobretudo porque o que estava na mesa era estados onde Lula está forte”, disse Teresa, em entrevista ao programa Folha Política desta quarta (06).

Segundo ela, a ala do PT que quer a aliança com o PSB sempre afirmou que os interesses nacionais do partido estão em primeiro lugar. Por isso, precisam ajustar os ponteiros para, de fato, colocarem a candidatura de Lula como condicionante. “Agora tem um roteiro que precisa ser seguido. Esse tempo, que é longo e teremos que conviver com ele, vai ser usado pelos apoiadores de Marília para fazer o que precisa ser feito, como botar na rua a discussão sobre programa de governo, fazer reunião com prefeitos, vereadores, com pré-candidatos. Tudo isso está sendo feito na perspectiva de pré-candidatura, mas agora precisa ser feito na perspectiva partidária”, colocou.

assuntos

comece o dia bem informado: