Paulo Rubem Santiago foi deputado federal e deixou o PDT no ano passado
Paulo Rubem Santiago foi deputado federal e deixou o PDT no ano passadoFoto: Felipe Ribeiro/Folha de Pernambuco

A independência dos diretórios estaduais do PDT nas eleições de 2018 pode dificultar a ascensão do pré-candidato da legenda à Presidência da República, o ex-ministro Ciro Gomes. A avaliação é do ex-deputado federal Paulo Rubem (PSOL), que já integrou a sigla e concedeu entrevista ao programa Folha Política, da Rádio Folha FM 96,7, nesta quinta (14). Conhecedor do funcionamento interno, o agora psolista ponderou sobre a unificação partidária em torno do nome de Ciro.

Na visão de Paulo Rubem, existe uma 'cláusula de consciência', que já foi usada em outras ocasiões para justificar o apoio de diretórios estaduais a candidatos de fora. Exemplo disso foi 2014, quando o PDT fechou com a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), mas acabou apoiando o seu adversário, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), em alguns estados importantes, como Minas Gerais e São Paulo.

“Do ponto de vista da direção nacional, sim. Ele vai ter esse apoio, inclusive se ele disser que quer fazer alianças à direita eu creio que a direção do PDT vai liberá-lo. O que ele pode ter dificuldade é quando ele descer para os estados. Porque o PDT em vários estados faz todo tipo de negócio, todo tipo de acordo, se associa com quem quer que seja. Eu lembro que em 2014, convenção nacional do PDT decidiu apoiar Dilma Rousseff. Quando a campanha começou, a gente viu no Rio Grande do Sul, no Paraná, em Santa Catarina, em São Paulo e Minas Gerais, os grandes estados, sobretudo São Paulo e Minas Gerais, o PDT foi apoiar candidatura de Aécio Neves. Então, quer dizer, não há coerência do ponto de vista de uma lógica, ideologia”, avaliou Paulo Rubem.

Armando Monteiro
Paulo Rubem, que é pré-candidato a deputado federal, também comentou sobre sua relação com o pré-candidato ao Governo do Estado pela Frente das Oposições, senador Armando Monteiro Neto (PTB). O psolista foi candidato a vice na chapa com o petebista, nas eleições de 2014. A dupla foi derrotada pelo atual governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB). Apesar de afirmar que tem “um diálogo saudável” com o senador, Paulo Rubem garantiu que não estaria no seu palanque em 2018.

“Em política você faz escolhas e as escolhas você faz em função da realidade. Avalio que de 2014 pra cá como senador da República, nos votos que deu no Senado, depois do impeachment, e agora nas alianças que faz, o senador Armando Monteiro faz uma opção de alargar o seu palanque para o campo da direita, pro campo conservador. Além de ter dado o seu voto favorável a algumas reformas que eu considero conservadoras. Então, eu mantenho meu diálogo, meu respeito democrático com o senador Armando Monteiro como figura pública, mas não estaria sob hipótese alguma no seu palanque ou pedindo votos para ele nessa eleição porque nós, de 2014 para cá, tomamos rumos diferentes”, afirmou.

Ele ainda criticou a possível aliança do PT com a Frente Popular. “Em função dos interesses nacionais do PT e do PSB, parece-me que o movimento tá indo para rifar a candidatura de Marília e fazer uma aliança estrambólica do PT com o PSB. O PSB que há dois anos deu votos para o golpe e para a cassação do mandato de Dilma Rousseff”, afirmou.

Ouça a íntegra da entrevista no Podcast Folhape:

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