Haddad (PT) visitou a Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB) para ouvir demandas da Igreja Católica
Haddad (PT) visitou a Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB) para ouvir demandas da Igreja CatólicaFoto: Evaristo Sa / AFP

O candidato do PT ao Palácio do Planalto, Fernando Haddad, disse nesta quinta-feira (11) que seu adversário no segundo turno, Jair Bolsonaro (PSL), tenta dar um contraditório "cavalo de pau" ao anunciar uma 13ª parcela do Bolsa Família para tentar atrair votos do Nordeste.

"Se tem alguém que criticou o Bolsa Família e, de certa maneira, humilhou os beneficiários ao longos dos últimos dez anos, foi o meu adversário. Aí não é fake news, basta ver na internet as frases que ele pronuncia sobre nordestinos que recebem Bolsa Família", disse Haddad em entrevista após visitar a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília.

"Por que depois de 15 anos batendo no programa e falando do jeito dele, que a gente conhece, sempre uma maneira muito agressiva de se referir às pessoas que recebem o benefício, vem com esta ideia? [...] Nunca votou nada relevante em 28 anos de mandato e agora quer dar um cavalo de pau e dizer que defende os pobres?", questionou Haddad.

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O ex-prefeito de São Paulo foi recebido nesta manhã pelo secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner. Após o encontro, a portas fechadas, Haddad concederia uma entrevista aos jornalistas que o aguardavam diante do prédio da Conferência, mas a equipe da campanha foi obrigada a alterar o local da agenda porque dois manifestantes pró-Bolsonaro apareceram e começaram a protestar contra o petista.

O candidato acabou conversando com os repórteres no hotel em que está hospedado. Questionado sobre o ato dos manifestantes, ele apenas sorriu. Haddad disse que, em função do relacionamento que estabeleceu com a CNBB no período em que foi ministro da Educação, foi à Conferência ouvir as demandas da Igreja Católica.

O ex-prefeito disse que dom Leonardo Steiner mencionou cinco pontos que, segundo ele, já estão contemplados em seu programa de governo, mas podem ser aprimorados: combate à violência, compromisso "inarredável" com a democracia, fortalecimento dos órgãos de combate à corrupção, proteção ao meio ambiente e compromisso com a vida.

"Nosso plano de governo prevê ações alinhadas com estes princípios", disse Haddad, que disse ter se comprometido com a revogação do teto de gastos e da reforma trabalhista.

Após o encontro, a CNBB divulgou nota em que "uma instituição aberta ao diálogo com pessoas e grupos da sociedade brasileira e que é comum, em período eleitoral, que candidatos de diversos partidos e grupos políticos solicitem agenda e sejam recebidos pela entidade".

"Na reunião, o candidato expôs suas propostas de governo e sua preocupação com o Brasil. O secretário-geral, por sua parte, abordou com o candidato assuntos que preocupam os bispos do Brasil, como por exemplo, a não legalização do aborto, a defesa da democracia e o combate rigoroso à corrupção, entre outros", diz a nota.

Aliados avaliavam que a visita de Haddad à CNBB nesta quinta teria ter impacto mais simbólico do que prático na campanha do petista. O aceno aos religiosos da entidade é uma tradição do PT e, nesta disputa tão polarizada, dirigentes católicos têm ecoado a necessidade de optar por candidatos "democráticos".

A avaliação da equipe de Haddad é que a onda que impulsionou com vigor Jair Bolsonaro ao segundo turno estava ancorada também em princípios religiosos, mas principalmente entre evangélicos -quase 70% deles apoiam o capitão reformado segundo o Datafolha.

Líderes evangélicos importantes, como Edir Macedo, da Igreja Universal, e José Wellington, da Assembleia de Deus, declararam voto em Bolsonaro reta final do primeiro turno e, para os petistas, desequilibraram ainda mais a disputa.

Além das estratégias políticas, a ideia dos petistas é tentar reverter esse quadro no espectro religioso ao colar em Haddad a imagem de um homem de fé, ligado aos valores da família.

Desde o início do segundo turno, a equipe do candidato do PT dividiu dirigentes o partido e aliados em grupos setoriais, que investirão nas conversas com católicos e evangélicos. A visita à CNBB é considerada um gesto também neste sentido.

Conforme publicou a Folha de S.Paulo, Haddad vai bater na tecla -nos programas de TV e em debates- de que é um homem de família, casado há 30 anos com a mesma mulher e filho de um líder religioso, já que seu pai era da igreja ortodoxa.

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