Líder do PR, José Rocha (BA)
Líder do PR, José Rocha (BA)Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

Líderes dos principais partidos políticos na Câmara dos Deputados criticaram a proposta do ministro da economia, Paulo Guedes, de criar uma emenda à Constituição para "desindexar, desvincular e desobrigar" todo o Orçamento federal caso a reforma da Previdência não seja aprovada pelo Congresso. Para as lideranças, as chances são mínimas de aprovação da emenda.

A reportagem ouviu líderes de nove das dez maiores bancadas de deputados que tomarão posse em 1º de fevereiro -sete siglas ou governistas ou simpáticas à administração de Jair Bolsonaro.

Alguns disseram, até mesmo, ver uma nova ameaça ao Congresso no primeiro discurso do ministro, que em novembro defendeu uma prensa em deputados e senadores para que eles aprovassem ainda no fim de 2018 a reforma apresentada por Michel Temer.

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Nada sobre mudanças nas regras de aposentadoria andou no ano passado, porém. Ao assumir o cargo, Guedes afirmou que a população deu um claro recado à classe política, o de que ela tem "muitos privilégios e poucas atribuições". Ele voltou a defender a aprovação da reforma da Previdência como essencial para a sustentabilidade das contas públicas do país.

Caso isso não ocorra, prosseguiu, o governo Bolsonaro dará um passo mais profundo: "Você tem de lançar uma PEC [proposta de emenda à Constituição] dizendo o seguinte: vamos desobrigar, desvincular e desindexar todas as receitas e todas as despesa das União".

Hoje, 92% dos gastos federais estão comprometidos com despesas obrigatórias, como Previdência e pessoal, e vinculadas, como o repasse de receitas para saúde e educação. Tradicionalmente, porém, o Congresso age sempre para elevar esses valores, não o contrário."Eu acho que ele foi mal naquela colocação dele. Nesse negócio o cara não pode estar com uma estratégia pensando em outra. Ele tem de esgotar todos os meios para tentar a primeira [a reforma da Previdência]", diz o líder do PR, José Rocha (BA). O partido tem a sexta maior bancada. "Acho que a gente vai conseguir votar a reforma da Previdência, é o primeiro ano do mandato, não tem eleição na frente para pressionar o deputado", afirma Rocha.

O líder do PRB –oitava maior bancada–, Celso Russomanno (SP), reforça a crítica. "Isso seria uma guerra, uma bagunça, a resistência seria muito maior", diz, acrescentando que não significa nenhum "bicho de sete cabeças" aprovar a reforma da Previdência.

"Não tem plano B, o plano é um só, aprovar a Previdência. Se não aprovar a Previdência, todo mundo já sabe disso, não resolverá o problema do Brasil”, diz o líder do PSDB, Nilson Leitão (MT).

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