STF passa por varredura antibomba na véspera do julgamento de Bolsonaro por trama golpista
Esquema de segurança inclui ainda a colocação de mais aparelhos de raio-x no hall do prédio
Como parte do esquema especial de segurança para o julgamento que poderá tornar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sete aliados réus por envolvimento na trama golpista após as eleições de 2022, o Supremo Tribunal Federal (STF) realiza nesta segunda-feira uma varredura antibomba na sala da Primeira Turma – onde a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) será analisada.
O procedimento será realizado pela Polícia Judicial e ocorrerá no plenário do colegiado, com capacidade de 126 lugares, além de outros lugares do prédio de cinco andares que abriga, além da Primeira, a Segunda Turma.
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O nível de verificação na entrada do edifício onde ficam as turmas do Supremo também foi ampliado pela equipe de segurança da Corte.
Para isso, mais aparelhos de raio-x foram colocados no hall do prédio e a inspeção será ainda mais rigorosa.
Quem for acessar o STF entre terça e quarta-feira com destino às Turmas também passará por uma dupla barreira de entrada.
A primeira delas ficará na entrada do STF situada ao lado da praça dos Três Poderes, e outra do lado de fora do prédio onde ficam os colegiados – no anexo 2-B, informalmente conhecido como "Igrejinha".
Para a imprensa, a Corte colocará cadeiras extras no fundo da sala de julgamentos, e disponibilizará uma tenda onde fotógrafos, cinegrafistas e jornalistas não credenciados poderão ficar. Dentro do plenário, apenas um integrante de cada veículo terá assento disponível.
Nesta terça-feira, a Primeira Turma começa a decidir se recebe, ou não, a denúncia oferecida pela PGR contra Bolsonaro, e ex-ministros de seu governo, como Braga Netto, Augusto Heleno e Anderson Torres.
Eles foram denunciados por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Na denúncia da trama golpista, apresentada pela PGR no dia 18 de março, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirma que Bolsonaro liderou uma organização criminosa que tentou golpe de Estado.
"A responsabilidade pelos atos lesivos à ordem democrática recai sobre organização criminosa liderada por Jair Messias Bolsonaro, baseada em projeto autoritário de poder", escreveu Gonet na denúncia.
De acordo com a PGR, a suposta organização criminosa estava "enraizada na própria estrutura do Estado" e tinha "forte influência de setores militares".